Dilma recupera o que não chegou a perder

28/09/2013 7 comentários
Dilma na ONU: "Jamais pode uma soberania firmar-se em detrimento de outra." Imagem: Timothy Clary/AFP

Dilma na ONU: “Jamais pode uma soberania firmar-se em detrimento de outra.” Imagem: Timothy Clary/AFP

Diante dos resultados das últimas pesquisas, Dilma não recuperou o que realmente não chegou a perder. Recuperam a razão, isso sim, aqueles que receberam o bafo das manifestações de junho e embarcaram numa onda que morreu na praia sem trazer nada de bom para a sociedade. Naquele primeiro momento, quando a mídia assumiu o controle do tsunami que derrubaria todos, inclusive o governo federal, as pesquisas surgiram sincronizadas ao JN e às manchetes dos jornalões. A presidenta despencou na avaliação de seu governo e a direita chegou a sonhar que ela nem terminaria o atual mandato.

O povo brasileiro – e quando falo em povo, me refiro a mais de 200 milhões e não a alguns milhares de coxinhas – nunca derrubará um governo que elegeu por ampla maioria, assim, de graça, conduzido por bandeiras fascistóides. Primeiro porque o povo não é politizado. Não se guia por ideologias e nem tem o hábito do debate político. O povo segue seu instinto mais fundamental: a vida melhorou nos últimos 10 anos. E isto é real. Não estamos falando de eletrodomésticos e viagens de avião apenas, mas das perspectivas mais elementares: Hoje, só não tem emprego quem não quer, não precisa ou não pode trabalhar; só não frequenta as salas de aula quem não quer, não precisa ou não pode estudar. Sem falar nas universidades, nas cotas…

No atual cenário, não há ninguém que chegue a ameaçar a reeleição de Dilma. A não ser que surja uma catástrofe diretamente causada ou mal administrada pela presidenta. O que, cá entre nós, depois de seu retumbante discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, é muitíssimo pouco provável que aconteça. Leia mais…

Resumo da ópera 470: submeter-se ou não à Globo?

14/09/2013 5 comentários

mascaras1Na sessão desta última quinta-feira, disse o ministro Barroso que “vota com sua consciência e não se pauta pelo que vai sair no jornal do dia seguinte”. É o resumo da ópera 470 – vulgarmente conhecida como Mensalão do PT: submeter-se ou não à Globo?

A estratégia preparada por Joaquim Barbosa foi a de isolar o derradeiro voto (que desempatará em 6 x 5 para um dos lados) para a próxima sessão, quarta-feira que vem, e assim jogar o ministro Celso de Mello aos leões da mídia durante os próximos 7 dias.

Se resistir à pressão vulcânica que o aguarda nesta semana, na mídia, e acabar por aceitar os tais embargos infringentes – adiando ou apagando para sempre as capas que o PiG sonha imprimir há 8 anos –, Celso de Mello salvará o STF (e, mesmo, a consciência dos outros cinco ministros que tentam executar o PT sumariamente).

Por outro lado, se o ministro dobrar-se à vontade da mídia e consentir que se algeme os petistas em praça pública(da), realizará o sonho de curto prazo de Globo, Folha, Estadão e Veja. Neste caso, ao contrário do que muita gente pensa, a novela estará longe de terminar. Além de transformar o STF na casa da mãe Joana da Globo e abrir precedentes para outros linchamentos nos mesmos moldes da 470 em qualquer tribunal do Brasil, a prisão de Dirceu, Genoino, J. P. Cunha e Delúbio levará o caso à Corte da OEA – que tem o poder de anular o julgamento ou partes dele. Isso significaria mais desmoralização ao STF e seus atores. Não só no Brasil, mas aí sim, perante toda a comunidade jurídica internacional.

Os ministros que votaram pela degola imediata dos réus parecem não se importar em serem achincalhados por quem entende de direito penal. Parece que o que mais aterroriza Barbosa e os demais que votam com ele é a opinião publicada na imprensa. Desde o início do julgamento ficou evidente sua postura político-partidária a serviço de interesses escusos.

Ao PiG só interessa uma coisa: algemar e fotografar. Mais tarde podem anular o julgamento, pouco importa. O estrago já estaria feito: finalmente o PT estaria “em cana”. Leia mais…

Reforma Política Já ou Morte!

13/07/2013 4 comentários

corrupçãoFaltam 15 meses para as próximas eleições para presidente, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. 15 meses são tempo mais que suficiente para plebiscito, discussão com toda a sociedade, elaboração, correções, votação e decretação da nova Lei, Emenda, PEC, Decreto, Medida Provisória – seja lá o nome que isso deve ter – que acabe com a farra indecente e corruptiva entre o político e seu patrocinador. Esse é o ponto mais importante da Reforma Política travada há 15 anos no Congresso Nacional. Entra governo, sai governo, e nada.

As vezes, perguntas explicam melhor que respostas: Por que uma determinada empresa “doa” dinheiro para a campanha eleitoral de determinado candidato? Dízimo? Promessa? Parentesco? Simpatia? O que faz um governante decidir quanto, como e a quem vai destinar a verba embutida no cargo a que foi eleito? Depois eu desenho… Leia mais…

Como em 64. Sem por nem tirar.

02/07/2013 22 comentários
Golpe: a gente vê por aqui. Plin Plin!

Golpe: a gente vê por aqui. Plin Plin!

Não é o povo – no sentido mais abrangente da palavra – que está nas ruas. Quem verdadeiramente usa os serviços públicos tem mais o que fazer. Não está nas passeatas. E quem protesta, protesta de barriga cheia. Pobres, negros e trabalhadores das periferias não foram convocados. Porque são invisíveis para a elite. Sujeira social.

Além dos engolidores de manchetes panfletárias que odeiam o PT gratuitamente – no que, aliás, se resume sua “consciência política” -, há a “tropa de elite” mascarada que se infiltrou no movimento do MPL e tomou-lhe as rédeas. São aqueles mercenários que Serra ajuntou em 2010.

Não confio em mascarados. Qualquer fã do MMA, UFC e similares, pode tornar-se um autêntico Anonymous. Basta comprar a máscara, que custa R$ 9,99 no site Mercado livre e sair por aí mordendo bandeira vermelha. Intolerância, fanatismo, preconceito racial/social, homofobia – são sentimentos que contagiam fácil os distraídos de carteirinha.

Sem partido é o mesmo que sem cabeça. 50 mil aqui, 60 mil ali, 80 mil, 100 mil. O anti petismo obteve 44 milhões de votos em 2010. Hoje, algumas dezenas de milhares desses eleitores pegaram carona nas manifestações e foram para as ruas “trabalhar” o golpe.

A Globo convoca os protestos diariamente. Dá data, horário e local. Depois manda cobrir. O repórter escolhe uma família branca, bem vestida, escadinha de filhos básica. Serão os “manifestantes pacíficos que estão nas ruas”. O material coletado por suas câmeras vai para a central de jornalismo golpista. Lá editam a injeção que o JN vai aplicar no telespectador. Tomam o cuidado de separar o trigo do joio – como as faixas anti-Globo e qualquer faixa que fale mal do PSDB. Leia mais…

O problema do transporte público é o transporte individual

18/06/2013 6 comentários

carroO horário nobre da Globo vomita dezenas de comerciais de automóveis em seu telespectador. Ângulos espetaculares mostram carros com design ultra moderno, sedutor, brilhante. Geralmente o motorista tem uma gata ao lado, é tranquilo e bem humorado. Dirige sozinho seu carrão pelas ruas. Sem trânsito, congestionamentos, fumaça, barulho, estresse.

O brasileiro é o cara mais aficionado por carros do mundo. Nunca foi meu caso, mas a maioria das pessoas tem como objetivo na vida:
1º comprar um carro, 2º o restante dos planos. Foram condicionadas a isso. Ter automóvel (principalmente o primeiro da vida) é sinônimo de status. Entre outras vantagens, uma tem que ser destacada: Não é imprescindível, mas facilita na hora de conquistar uma mulher (sem hipocrisia, é fato!).

O problema do transporte público é o transporte individual.

Por que é tão ruim? O ônibus balança muito? Os assentos são sujos, desconfortáveis? Não, não é isso. O transporte público é ruim porque te obriga a ficar dentro de um ônibus superlotado e que não anda. Ora, se não houvesse a ocupação maciça dos automóveis, o transporte público seria eficiente e sobraria mais espaço para ampliação da frota. Independente do valor da passagem, faria seu papel: transportar com rapidez e conforto.

Imagine os comerciais de automóvel. O carro deslisando suavemente pela pista, sem trânsito. Potência, conforto, segurança… Agora mude apenas o veículo da cena. Troque por um ônibus, sem as centenas de carros que o cercam na vida real. É isso que Maurícios, Patrícias e todos nós queremos para o transporte público.  Leia mais…

PiG sente gostinho de 64

14/06/2013 7 comentários
Foto: Veronica-Manevy

Foto: Veronica-Manevy

Os índices de desemprego que vêm caindo nos últimos anos, muito contribuíram para o aumento do número de usuários do transporte público. Principalmente nos centros urbanos, nos horários de pico. Mas em São Paulo, as frotas de ônibus não acompanham essa demanda há mais de quatro mandatos estaduais. Do metrô nem se fala. É simplesmente catastrófico. É nele que acontecem as falhas mais graves, que há muito são uma tragédia ambulante anunciada envolvendo milhares de usuários.

O último alívio concedido ao herói usuário do transporte público paulistano foi o Bilhete Único. Esqueçam o “imagine na Copa” e imaginem o que seria SEM este cartão?

A indústria automobilística alavanca uma enorme cadeia de produção, e o próprio PIB brasileiro. Ninguém quer ficar de pé numa lata por horas no caminho para casa/trabalho. Congestionamento por congestionamento, todos preferem ficar sentados dentro de sua cabine particular de quatro rodas.

Só que os espaços reservados para esses motoristas e suas cabines não crescem na mesma proporção em que cresce o número deles em circulação. É uma questão física. Qualquer pessoa razoável entende que é VITAL investir pesado em transporte coletivo nos grandes centros urbanos, em todo o planeta. Mas em Sampa, durante décadas de PSDB na veia, sempre privilegiaram o individualismo nos transportes. Investem zilhões em reformas de ruas, avenidas e rodovias como o rodoanel… Tudo contempla o automóvel, quase nada para metrô e ônibus.

Serra e Alckmin se alternam mas nada muda. Não sabem o que fazer com o povão. Não é da natureza dos tucanos olhar para a população como um todo. São elitistas desde o próprio DNA. Mantém uma polícia troglodita, descendente da polícia da ditadura, que grita por eles quando é preciso. Enfrentam o que lhes foge de controle ou o que lhes parece incompreensível, na base da porrada. Satisfazem assim, aquele eleitor mais careta, conservador, que não usa ou necessita de serviços públicos e que considera o povão intruso em sua cidade. Leia mais…

Brasil x Brazil

01/06/2013 20 comentários

capitalism isnt working“Capitalism isn’t working”, gritam milhões de europeus sobre a crise que arrasa a economia de meio mundo desde 2008. O destino da humanidade é algum formato de socialismo. Como e quando isso se dará é outra história.

E a história dá voltas. Se há um obstáculo que a impede de fluir na direção do equilíbrio social, repete o ciclo até conseguir. Leve o tempo que levar. É o caso das esquerdas sul-americanas. Golpes de estado, ditaduras, perseguição e assassinatos, censura, opressão… só adiaram a necessidade dos governos se voltarem para o resgate da cidadania de milhões.

Por que eu me preocupo com essas questões que nem atingem a mim, meus familiares e amigos? Por que eu luto para que milhões de pessoas que não conheço e jamais vou conhecer recebam algum tipo de vantagem por parte do governo? O que eu tenho a ver com o Zé que mora na favela e tem 5 filhos pra criar? Por que eu não vivo minha vida, cuidando de mim e dos meus, e que o resto que se dane?

Porque me incomoda demais que essas milhões de pessoas desconhecidas vivam na miséria. É questão de dignidade, amor próprio. É essa minha consciência, que não admite  que eu me conforme com a “sorte e destino alheios”. Poderia sair por aí distribuindo sopa pra morador de rua. Mas não sou Madre Tereza. Sei que a desigualdade social abismal em que vivemos tem origem e pode ser revertida na origem.

Nossa ditadura durou 21 anos e os governos militares foram um fracasso total. Endividaram o país, aprofundaram os abismos sociais, aparelharam a mídia em nome da Casa Grande e deixaram a senzala à sua própria sorte. E aqui estamos, novamente, correndo o risco de regredir, por conta da orquestração midiática aliada a grupos fascistóides que encrustaram-se nas fileiras do PSDB. O “plano” é desalojar o PT do poder a qualquer custo. Seja através do STF, seja através da desconstrução de todos os índices que gritam que o Brasil é um dos poucos países que melhor enfrentam a crise mundial. Leia mais…

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