O problema do transporte público é o transporte individual

18/06/2013 6 comentários

carroO horário nobre da Globo vomita dezenas de comerciais de automóveis em seu telespectador. Ângulos espetaculares mostram carros com design ultra moderno, sedutor, brilhante. Geralmente o motorista tem uma gata ao lado, é tranquilo e bem humorado. Dirige sozinho seu carrão pelas ruas. Sem trânsito, congestionamentos, fumaça, barulho, estresse.

O brasileiro é o cara mais aficionado por carros do mundo. Nunca foi meu caso, mas a maioria das pessoas tem como objetivo na vida:
1º comprar um carro, 2º o restante dos planos. Foram condicionadas a isso. Ter automóvel (principalmente o primeiro da vida) é sinônimo de status. Entre outras vantagens, uma tem que ser destacada: Não é imprescindível, mas facilita na hora de conquistar uma mulher (sem hipocrisia, é fato!).

O problema do transporte público é o transporte individual.

Por que é tão ruim? O ônibus balança muito? Os assentos são sujos, desconfortáveis? Não, não é isso. O transporte público é ruim porque te obriga a ficar dentro de um ônibus superlotado e que não anda. Ora, se não houvesse a ocupação maciça dos automóveis, o transporte público seria eficiente e sobraria mais espaço para ampliação da frota. Independente do valor da passagem, faria seu papel: transportar com rapidez e conforto.

Imagine os comerciais de automóvel. O carro deslisando suavemente pela pista, sem trânsito. Potência, conforto, segurança… Agora mude apenas o veículo da cena. Troque por um ônibus, sem as centenas de carros que o cercam na vida real. É isso que Maurícios, Patrícias e todos nós queremos para o transporte público.  Leia mais…

PiG sente gostinho de 64

14/06/2013 7 comentários
Foto: Veronica-Manevy

Foto: Veronica-Manevy

Os índices de desemprego que vêm caindo nos últimos anos, muito contribuíram para o aumento do número de usuários do transporte público. Principalmente nos centros urbanos, nos horários de pico. Mas em São Paulo, as frotas de ônibus não acompanham essa demanda há mais de quatro mandatos estaduais. Do metrô nem se fala. É simplesmente catastrófico. É nele que acontecem as falhas mais graves, que há muito são uma tragédia ambulante anunciada envolvendo milhares de usuários.

O último alívio concedido ao herói usuário do transporte público paulistano foi o Bilhete Único. Esqueçam o “imagine na Copa” e imaginem o que seria SEM este cartão?

A indústria automobilística alavanca uma enorme cadeia de produção, e o próprio PIB brasileiro. Ninguém quer ficar de pé numa lata por horas no caminho para casa/trabalho. Congestionamento por congestionamento, todos preferem ficar sentados dentro de sua cabine particular de quatro rodas.

Só que os espaços reservados para esses motoristas e suas cabines não crescem na mesma proporção em que cresce o número deles em circulação. É uma questão física. Qualquer pessoa razoável entende que é VITAL investir pesado em transporte coletivo nos grandes centros urbanos, em todo o planeta. Mas em Sampa, durante décadas de PSDB na veia, sempre privilegiaram o individualismo nos transportes. Investem zilhões em reformas de ruas, avenidas e rodovias como o rodoanel… Tudo contempla o automóvel, quase nada para metrô e ônibus.

Serra e Alckmin se alternam mas nada muda. Não sabem o que fazer com o povão. Não é da natureza dos tucanos olhar para a população como um todo. São elitistas desde o próprio DNA. Mantém uma polícia troglodita, descendente da polícia da ditadura, que grita por eles quando é preciso. Enfrentam o que lhes foge de controle ou o que lhes parece incompreensível, na base da porrada. Satisfazem assim, aquele eleitor mais careta, conservador, que não usa ou necessita de serviços públicos e que considera o povão intruso em sua cidade. Leia mais…

Brasil x Brazil

01/06/2013 20 comentários

capitalism isnt working“Capitalism isn’t working”, gritam milhões de europeus sobre a crise que arrasa a economia de meio mundo desde 2008. O destino da humanidade é algum formato de socialismo. Como e quando isso se dará é outra história.

E a história dá voltas. Se há um obstáculo que a impede de fluir na direção do equilíbrio social, repete o ciclo até conseguir. Leve o tempo que levar. É o caso das esquerdas sul-americanas. Golpes de estado, ditaduras, perseguição e assassinatos, censura, opressão… só adiaram a necessidade dos governos se voltarem para o resgate da cidadania de milhões.

Por que eu me preocupo com essas questões que nem atingem a mim, meus familiares e amigos? Por que eu luto para que milhões de pessoas que não conheço e jamais vou conhecer recebam algum tipo de vantagem por parte do governo? O que eu tenho a ver com o Zé que mora na favela e tem 5 filhos pra criar? Por que eu não vivo minha vida, cuidando de mim e dos meus, e que o resto que se dane?

Porque me incomoda demais que essas milhões de pessoas desconhecidas vivam na miséria. É questão de dignidade, amor próprio. É essa minha consciência, que não admite  que eu me conforme com a “sorte e destino alheios”. Poderia sair por aí distribuindo sopa pra morador de rua. Mas não sou Madre Tereza. Sei que a desigualdade social abismal em que vivemos tem origem e pode ser revertida na origem.

Nossa ditadura durou 21 anos e os governos militares foram um fracasso total. Endividaram o país, aprofundaram os abismos sociais, aparelharam a mídia em nome da Casa Grande e deixaram a senzala à sua própria sorte. E aqui estamos, novamente, correndo o risco de regredir, por conta da orquestração midiática aliada a grupos fascistóides que encrustaram-se nas fileiras do PSDB. O “plano” é desalojar o PT do poder a qualquer custo. Seja através do STF, seja através da desconstrução de todos os índices que gritam que o Brasil é um dos poucos países que melhor enfrentam a crise mundial. Leia mais…

PiG vai às delegacias e esquece a Virada

20/05/2013 9 comentários
Grupo "Palavra Cantada" se apresentando no Parque da Luz

Grupo “Palavra Cantada” se apresentando no Parque da Luz

Sempre gostei das Viradas Culturais que acontecem em Sampa. Reconheço que foi uma boa idéia de Serra – ops, que Serra se apropriou seja lá de quem for, porque ele nunca foi um homem de “idéias”. Mas é realmente uma ótima oportunidade de ver o paulistano descontraído, despido de sua embalagem de carrancudo.

Não, não fico mais de 10 minutos assistindo a qualquer dos diversos shows. Prefiro mesmo passear pelas ruas. Principalmente nas do centro. Me encantam as diversas tribos se cruzando, se assistindo. A pluralidade cultural e estética das danças, ritmos, cores, luzes etc. Parece Carnaval. Mas, fato é, que não divide as pessoas pelo bolso como o Carnaval faz. A Virada é legal porque dá aquela embaralhada sócio-cultural no paulistano por 24 horas seguidas. É um caleidoscópio. E o centro da Virada só pode ser o centro de Sampa. É ali onde o evento pulsa mais intensamente.

No sábado, nas escadarias do Teatro Municipal, acontecia manifestação pelo Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. Um grupo de três meninas me cercou e uma delas, que não tinha mais de 12 anos, fez uma singela exposição sobre o tema, me panfletou e me deu uma bala: “Essa bala é o sinal de que você acaba de ser vacinado e vai ajudar a proteger todas as crianças do mundo”. Me deixou com os olhos marejados. Já me afastando fiz-lhe o sinal de que a guardei em meu coração.

A “Viradinha Cultural” – voltada ao público infantil – transformou o lindo Parque da Luz num enorme laboratório de fantasias infantis. Muita musica, contação de histórias, atividades  lúdicas, e muitas, mas muitas famílias inteiras se divertindo. E, claro, a “Viradinha” não durou a noite toda. Recomeçou pela manhã. Vi as crianças receberem fitas nos pulsos, identificando nomes e números dos telefones dos pais. E os pais não demonstravam aquela típica paranóia do paulistano sobre a segurança de seus filhos em lugares públicos.

O que mais me saltou aos olhos desde o início dessa edição da Virada, foi a preocupação com a limpeza. Nunca vi o centro de Sampa tão limpo em toda minha vida! De repente, na Barão de Itapetininga um gari usando um aspirador gigante, que engolia facilmente uma lata de cerveja! Uma diferença gritante pra quem viveu a administração Kassab, não é mesmo? (Como se sabe, Kassab recebeu (e mereceu) o apelido de Prefeito Sujismundo – por ter reduzido as verbas e contratos com as empresas que cuidavam da limpeza da cidade.) Leia mais…

Papel jornal e tomates

13/04/2013 6 comentários

tomateAna Maria Braga usou colar de tomates (que, aliás, lhe caiu muito bem…) Abril e Globo dão capa ao tomate. O Brasil está despencando. Os índices de crescimento, desenvolvimento e distribuição de renda são fabricados por Lula, Ahmadinejad, Fidel e Chaves para iludir o povo brasileiro. Ninguém consegue pagar a prestação. A bola da Copa será quadrada e o apito será assobio. Lula, Dirceu, Genoino e filhos são milionários. O mensalão de Roberto Jefferson é o maior escândalo da paróquia. Vem aí o apocalipse…

Imprimem o verde em papel jornal pra colher maduro. Se não der, voltam com Apagão, Gripe Suína, Dengue e factóides genéricos para apavorar.

Em uníssono, o oligopólio midiático faz campanha maciça pelo aumento dos juros e a volta da inflação. Usam e abusam da palavra “inflação” diariamente em suas capas. Esperam com isso, contaminar o comércio e outros setores da economia de pessimismo que leve ao pânico e ao aumento dos preços. Apostam que convertem sua especulação barata em fato. Como antigamente… Porque, diferentemente de quando calaram nas falências seguidas de FHC, falir o país – mesmo que seja apenas nas manchetes – é a ÚNICA maneira de desalojar o PT do Planalto. Logo mais vem pesquisa avaliando se suas manobras surtiram efeito…

A direita fascista quer levar o país de volta à década de 90 e retomar o rumo da subserviência vira-lata que Serra e FHC imprimiram ao seu governo. Os vampiros das multinacionais falidas pelo neoliberalismo exigem que se abra a porteira para voltarem à pilhar nossas riquezas naturais.

Para a casa Grande, a doméstica deve voltar a dormir na Senzala, que é o seu lugar, antes de começar a se achar a azeitona da empada.  Segundo Delfim Neto: “A empregada doméstica virou manicure ou foi trabalhar num call center. Agora, ela toma banho com sabonete Dove. A proposta desses ‘gênios’ é fazer com que ela volte a usar sabão de coco, (sem direito trabalhista)”. Quer dizer, que volte ao regime de 16 horas diárias de escravidão.  Leia mais…

Blogosfera sob ataque

31/03/2013 4 comentários

Hoje, os blogs, ditos progressistas, são o único contraponto à Globo & Famíglia. Enquanto o oligopólio inconstitucional deita e rola, impondo meias verdades e inteiras mentiras sobre os fatos, a realidade transborda das páginas da blogosfera e se espalha pelas redes sociais. E isso apavora os Marinho, Frias, Cívitas e Mesquitas que vêem sua hegemonia desmoronar diariamente.

Pensa bem: até o surgimento da Internet, quais eram os veículos de comunicação não nascidos do ventre da ditadura ou do início da “não ditadura” de Sarney, Collor, Itamar e FHC?  Eram os chamados nanicos – que, como o nome já diz, tinham estruturas financeiras precárias e dificuldades enormes de distribuição – já que as distribuidoras também eram alinhadas ao PiG. Lidos por algumas milhares de pessoas, e olhe lá!… os nanicos eram a única voz que se contrapunha ao discurso oficialesco da quadrilha midiática instalada pela ditadura no Brasil pós 64. Movimento, Pasquim, Em Tempo, Ex, e tantos outros que fizeram a história da resistência em meio às trevas, foram sufocados financeiramente. Um por um.

Hoje o que nos salva da infame lavagem cerebral da Globo & Famiglia, são blogueiros como Luis Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães entre outros, que José Serra chama de “sujos”.  Até pouco tempo, eu fazia uma romaria diária por seus blogs – leitura obrigatória para quem busca pontos de vista mais honestos e comprometidos com a verdade. Usava o Reader do Google (agora uso o Feedly) para reunir meus preferidos na mesma janela. Mas, a cada dia que passa, percebo que venho usando menos o leitor de feeds. Porque hoje, através das redes sociais, as postagens dos meus blogs favoritos vêm a mim naturalmente, repercutidas por meus “amigos” virtuais: são o meu leitor de feeds – assim como estou certo que muitos lêem textos repercutidos por mim.

Diz-me quem adicionas e dir-te-ei o que lês. Leia mais…

Dilma deve usar mais nosso espectro

09/03/2013 6 comentários

espectroDesde seu nascimento, o PT sempre esteve num patamar superior quando o assunto é comunicação. E não é somente pelos ótimos profissionais da área que abraçaram a causa do partido desde a sua fundação. Fazer um bom trabalho de comunicação, exige boa matéria prima: tanto no conteúdo, quanto na forma. Em outras palavras, para fazer uma boa peça de comunicação, seja impressa ou audiovisual, é preciso boas propostas, bom discurso, boas imagens e… realizações incontestáveis.

Nos últimos 10 anos o PT produziu e multiplicou essa matéria prima. O PiG esconde ou desmerece as realizações do governo federal por 20 meses. Chega então a próxima campanha eleitoral e o horário “gratuito” na TV, e o PT esbanja criatividade em seu marketing. Até os adversários admitem. (Collor, por exemplo, confessou que na campanha eleitoral de 89 ia dormir com o “Lulalá” ecoando na cabeça.)

Gasta-se uma grana preta nas campanhas eleitorais. E a tecnologia ajuda muito. Mas, suponhamos que o financiamento de campanha se tornasse público – o que, aliás, seria excelente. Suponhamos que as verbas disponibilizadas para cada partido fossem irrisórias, impossibilitando os recursos de computação gráfica, jingles, atores e outros elementos. Que a propaganda eleitoral ficasse nas ideias e nas realizações de cada um – sem as milionárias super-produções que estamos acostumados a ver. Mesmo assim, o PT faria a melhor campanha. Porque tem muito mais matéria prima. Isso, para não mencionar o carisma de Lula. Leia mais…

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