Deus no céu e as Urnas na terra

13/10/2012 7 comentários

Se Deus existe, então é Deus no Céu e as Urnas na Terra. A briga acontece daí pra baixo. O STF não pode tomar o lugar das Urnas. A não ser que isso se torne constitucional. Os golpistas de 64 precisaram editar a Constituição através dos tais Atos Institucionais para dar ao regime ares de legalidade.

Há um golpe em curso. (Sempre haverá algum em curso, enquanto a mídia permanecer acima da lei, trabalhando a favor de um grupo político.) O objetivo da primeira etapa era o de enfraquecer o PT nas eleições com a “operação mensalão”. Aliás, nem era bem um objetivo. Era mais uma expectativa. Mas as urnas rejeitaram a relação entre uma coisa e outra e quem apostou suas fichas no julgamento, perdeu.

Por outro lado, o vírus golpista é mutante. Dança conforme a música. Perde-se São Paulo, mas salvam-se os dedos. Pula essa e segue para a etapa seguinte: continuar batendo na tecla mensalão até criar calos nos dedos. Não importa, o que vier é lucro: criminalizar Lula, desmoralizar o PT e inviabilizar a reeleição de Dilma em 2014, senão destituí-la antes ainda de completar seu primeiro mandato. Este é o horizonte dos golpistas.

Pelo o que andam exercitando por aí, América Latina à fora, pode-se deduzir que será através do chamado “golpe branco” – golpe de estado moderno, de última geração, que dispensa o uso de armas de fogo e é baseado na criação de factóides infundados, difamação e assassinato de reputações através de um bombardeio noticioso sincronizado, que paralisa o inimigo e neutraliza o senso crítico do povo. Leia mais…

A essência da nação militante petista

06/10/2012 28 comentários

Temos paixão. Somos convictos e contagiantes. Provavelmente a militância mais numerosa do planeta. Somos autênticos, corajosos e batalhadores. Estamos impregnados de verdade e nossa causa é a mais justa de todas. Por isso não desistimos jamais. O que nos move passa longe de vingança, ódio a um partido ou a um candidato e o que aprendemos não está nas manchetes das cartilhas penduradas nas bancas de jornal. Ao contrário de nossos adversários, não ecoamos preconceito racial e social, individualismo e limpeza étnica. Nossos desejos não se realizam às custas do sofrimento alheio e não pretendemos derrubar o Brasil e humilhar seu povo em nome de nossa vitória.

Não nos enganam mais os apresentadores, os locutores, os porta-vozes, os tradutores, os comentaristas e os novelistas que tentam corromper nossas consciências a todo custo. Não nos interessam mais as teorias, os modelos, as tendências, as fachadas, os apelidos, a maquiagem e as máscaras dos falsos patriotas.

Sonhamos um Brasil forte, justo e soberano. Um Brasil que já quase podemos tocar, que vibra nos rostos iluminados de nossas crianças. Enxergamos um horizonte real, atingível, construído por cada um de nós através dos governos vitoriosos que elegemos. Somos NÓS que estamos lá. Mais do que representados, donos do nosso destino. Estamos encravados na história e no futuro deste novo Brasil e desta nova América para sempre. Não seremos demovidos por qualquer instrumento que não seja a vontade soberana do povo, expressa em eleições justas e democráticas.

Não buscamos lucro ou vantagem pessoal. O que nos move é a confiança, a certeza de que é possível melhorar nossas vidas e a vida de todas pessoas, independente da cor, do sexo e da classe social. Acreditamos que é possível tornar este país mais justo, um lugar melhor de se viver. Para que nossos filhos não tenham vergonha de serem brasileiros. É isso que nossos adversários não compreendem. Essa entrega a uma causa que beneficia milhões de pessoas do norte ao sul do país. Os conservadores estacionados no século passado e sua imprensa podre nos estranham porque só conhecem os caminhos do preconceito, da inveja e da trapaça para se alcançar um objetivo.

Os inimigos da democracia conspiram cada dia mais abertamente em nome de uma elite que decidiu “reaver seu país” a qualquer custo. Mais do que isso, planejam reescrever a história recente deste país. Devolver ao Brasil a condição de vira-latas da comunidade internacional, sempre submisso às vontades dos mercadores e assaltantes estrangeiros.

O desrespeito à constituição e às bases mais elementares do direito e da justiça exibidos pelo STF no julgamento da 470 e festejados pelo PiG durante e em função da campanha eleitoral, mostra que os conspiradores não estão ensaiando. Estão armando o bote – associados agora aos senhores das togas, que a cada dia que passa, tornam-se mais parecidos com seus colegas de cargo paraguaios.

Por isso enfrentamos essas forças predadoras e sua imprensa a cada dois anos. Sabemos que jamais desistirão – seja no voto, seja na marra. E sabemos que somente a vitória das forças progressistas nas eleições deste domingo poderá conter sua voracidade bestial e golpista que ameaça roubar-nos o estado de direito.

Somos amantes da verdade, da justiça e da prosperidade. Não nos vendemos e não nos rendemos.

Tudo isso nos diferencia dos mercenários da outra margem. E é por tudo isso que venceremos!

Mea culpa

03/10/2012 4 comentários

Confesso: em 2005, minha mulher foi receber um pagamento, em dinheiro vivo, por serviços prestados por mim a um cliente. Meu cliente, por sua vez, foi terceirizado por um grupo que presta serviços a uma outra empresa que, aliás, eu desconhecia até então. Provavelmente todos os envolvidos no esquema optaram por não emitir notas fiscais, para diminuir custos. Podem rastrear e interpretar como, quando e porque o dinheiro circulou entre nós. Sim, excelentíssimos magistrados: eu, meu cliente, seus funcionários, o cliente do meu cliente, seus funcionários e as respectivas famílias de todos os citados aqui, dividiram o dinheiro em partes desiguais. Para ser honesto com vossas excelências, carrego um agravante que me transforma em culpado sumariamente: sou petista. Não sei dos outros envolvidos no esquema, mas eu sou petista. Apoio o presidente Lula desde a época em que era líder sindical. Apoio a Presidenta Dilma e estou torcendo impunemente para que Fernando Haddad se torne o novo prefeito de São Paulo. Portanto já podem me prender.

Prendam também 1,5 milhão de militantes petistas e todos os quadros do partido, igualmente culpados, espalhados por todo o Brasil. Criminosos que ousaram derrotar uma, duas, três vezes os candidatos dos barões da mídia, porta-vozes das elites e dos bicheiros. Prendam a todos, pois existem fortes indícios de que muito dinheiro circula entre eles de forma suspeita, excelentíssimos magistrados. É quase certo que todos os militantes petistas estejam envolvidos no esquema capitalista usado para organizar as relações de trabalho e compra e venda de produtos e serviços. Muitos ainda fazem empréstimos bancários do vil metal para pagar aluguel, prestação, supermercado, diversão etc. Uma verdadeira quadrilha, excelentíssimos magistrados. Leia mais…

Haddad, contra o incapaz e o inútil

Nunca esteve tão clara a situação da eleição em São Paulo: mesmo que Serra, ajudado por todos os barões da mídia – que, aliás, são os únicos entusiastas de sua campanha – conseguisse o milagre de passar ao segundo turno, perderia a eleição. Russomanno começaria a finalíssima com a vantagem da inacreditável taxa de 46% de rejeição que Serra carrega nas costas. Situação ideal para um apresentador de TV premiado com a inesperada primeira colocação na preferência do eleitorado paulistano, não é mesmo? Russomanno se safaria de ter que enfrentar um ex-ministro do tamanho de Haddad. Não teria que apresentar o inconsistente, senão o inexistente, Programa de Governo que nunca imaginou vir a precisar realmente em sua aventura eleitoral.

Com Russomanno e Serra, a eleição se resumiria em escolher entre o incapaz e o inútil. Seriam o anti-Serra versus o anti-Russomanno. E ninguém a favor de São Paulo. Eleito, o anti-Serra abriria todas as portas para o ingresso dos evangélicos na antesala do poder em São Paulo. E isso seria só o começo para eles. Porque os pastores não perdem tempo com “picuinhas partidárias entre tucanos e petistas”. Vão direto ao bolso do fiel que paga para sentir a fé.

Precisa desenhar? Na reorganização das forças, no segundo turno, só Haddad teria chances de vencer Russomanno. Até a Soninha, amiguinha do peito de Serra, se antecipou e declarou ao vivo, no último debate, na TV Gazeta, que vota em Haddad no segundo turno.

Diante de Russomanno, Haddad se agiganta a tal ponto que o tempo na TV – que passa a ser igual para os finalistas – pode se tornar um incomodo para seu adversário. Explico: é muito espaço de tempo para alguém tão pequeno como Russomanno. Além de não ter muito a dizer, morre de medo de morder a língua.

Serra está num processo de falência múltipla acelerada. Como político e como candidato. Fora o Datafolha que inverte o resultado na margem de erro para manter seu candidato artificialmente vivo, as pesquisas do Ibope e do Vox Populi já mostraram que Serra não consegue reverter seu declínio. Seria menos humilhante para seu final de carreira se deixasse a eleição já no primeiro turno, à francesa, e fosse aguardar a instalação da CPI da Privataria Tucana – o verdadeiro último capítulo de sua sua biografia – já na horizontal…

Com Serra fora, o PiG e a direita perdem, é verdade. Mas se Russomanno for eleito, São Paulo e TODOS seus habitantes perdem mais ainda.

Curioso… Até hoje o PiG nunca deixou de ter candidato próprio nos segundos-turnos mais importantes. Sempre que ficava apertado, arranjavam alguma fraude jornalística para prejudicar seus adversários nos últimos dias, quando a campanha já estava encerrada e não havia como se defender de seus ataques. Será que desta vez vão pro brejo mais cedo? E sendo assim, vão preferir apoiar Russomanno e sacrificar Sampa por mais quatro anos só para não entregar a cidade ao “inimigo” petista? A ver.

Por outro lado, mais do que medir as preferências do paulistano, o último Datafolha trouxe informações importantes escondidas em seus números: o julgamento do chamado mensalão do PT ainda não frutificou como planejaram os golpistas e o STF. Além de ser inconstitucional, o linchamento público que promovem não está colando na população. Deve ser porque tem cheiro de mofo. Coisa que ficou para trás, num outro Brasil. Um Brasil que não deixou saudades.

Quanto a Serra, só terá um novo mandato para qualquer cargo público se for nomeado. Seja por um civil, seja por um militar…

O julgamento “bolinha de papel”

21/09/2012 10 comentários

Script decorado desde 2007, o julgamento é só uma formalidade. Enquanto as defesas expõem seus argumentos inutilmente, os carrascos tiram as sonecas dos (in)justos

Em algumas postagens anteriores eu manifestava otimismo em relação ao julgamento da 470 – o chamado mensalão do PT. Otimismo decorrente dos argumentos da defesa dos réus, especialmente a dos caríssimos José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha.

Por menos entendido que eu seja do “juridiquês”, deu pra pescar o basicão na fala dos advogados: nos últimos 7 anos, nem imprensa nem PGR conseguiram encontrar provas que garantissem as condenações tão sonhadas pelos anti-petistas de carteirinha. Gurgel pareceu ter seguido as trilhas, tramas e distorções que jorraram na mídia desde a nefasta tentativa de derrubar Lula em 2005.

Vários depoimentos de especialistas em Direito Penal dizem que a acusação é inconsistente, furada tecnicamente. O julgamento só podia avançar fora da lei. Descontando os editorialistas do PiG, não há um único jurista que concorde com a tese do promotor.

Aos poucos, então, o julgamento começou a tomar ares duplamente kafkianos. Primeiro, Joaquim Barbosa sofreu umA Metamorfose. Virou um daqueles executores mascarados que decapitavam cabeças em praças públicas medievais. Depois veio O Processo diferenciado. Iniciou-se já com todos os réus condenados sumariamente. A parte menor dO Processo, a defesa dos réus, foi peça de figurantes. Mal foram ouvidos.

Estamos assistindo a um tribunal de exceção. Criam-se “leis instantâneas” cada vez que é preciso justificar uma condenação política. Presumir a culpa vale mais do que prová-la. O STF tornou-se a casa da Santa Inquisição que condenava bruxas à fogueira em praça pública. Só mudaram os cenários: as bruxas são os petistas, a fogueira é a imprensa e o crime é o “País Rico é País Sem Pobreza” que o governo trabalhista do PT constrói.

A elite paulista não tolera a invasão das suas praias. Desde 2003 vem exigindo providências de seus editores… Leia mais…

Uma nuvem escura paira sobre Sampa

Estou curioso pra saber como a mídia golpista vai se comportar se o seu eterno candidato for descartado logo no primeiro turno das eleições. Será que, em se tratando do “risco” de o PT vencer em São Paulo, vão preferir apoiar Russomanno? Justo este que é o representante de Edir Macedo, dono da Record? Justo a Record, inimiga mortal da Globo?

Que sinuca de bico! Serra a caminho do brejo político, rejeitado por metade dos paulistanos e a “cidadela” demotucana, lar da imprensa serrista, arriscada a cair nas mãos de Edir Macedo. Já estão chamando de “Prefeitura Universal do Reino de Deus”. E se o Russo levar essa, segura o bispo pois ele não vai descansar até chegar ao Planalto e ser empossado.

Russomanno é apresentador ou repórter ou aspirante a isso. Sei lá eu como definir esse outro “coiso” parido pela rejeição a Serra e pelo desconhecimento de Haddad. É um personagem da TV que pretensamente defende os direitos dos cidadãos num reality show de charlatões. Se a cena não fica boa, filma de novo. Virou político usando a mesma brecha por onde entram os jogadores de futebol, humoristas, estilistas, cantores e até os chamados ex-bbb. Vez por outra, esses caras “tentam a sorte” na política.

Como os outros candidatos nanicos, Russomanno previa apenas ocupar o espaço gratuito de exposição na TV e conquistar muito menos que a prefeitura de São Paulo. Nunca sonhou e menos ainda se preparou para a possibilidade real de ser eleito prefeito desse enorme abacaxi em que Serra/Kassab transformaram a cidade. Leia mais…

Manchetes e entrelinhas

25/08/2012 4 comentários

Se você é daqueles que abrem o jornal e não partem da premissa de que nem sempre os jornalistas divulgam o fato, mas a sua interpretação do fato, e que na maioria da redações dizer a verdade não é obrigatório pois o importante é defender ou atacar inimigos ou amigos dos patrões-proprietários – você não estará lendo o jornal. Estará engolindo cegamente informação de péssima qualidade. Estará fazendo parte daquele grupo de tolos, frequentes usuários da expressão “É verdade, saiu no jornal tal”.

Se você não enxerga que muitas vezes o grupo de empresas de comunicação que controla tudo o que é lido no Brasil organiza uma empreitada para formar uma opinião pública através de várias opiniões publicadas, destruir reputações e interferir em eleições, governos e julgamentos, então você é – como bem o apelidou William Bonner aqui – um autêntico Homer Simpson, o vidiota manipulado.

Se você não leva em conta que os jornalões, revistas e emissoras de rádio e TV que dominam o mercado atual ergueram-se fomentando e apoiando o golpe de estado contra João Goulart, em 1964, e que receberam concessão e subsídios dos golpistas em troca de apoio, bajulação e a falsa legitimação de seu governo, então você não sabe nada sobre a história recente do seu país.

No Brasil, infelizmente, as verdades escondem-se nas entrelinhas das manchetes e são impedidas de vir a tona pela ausência de um marco regulatório que democratize as comunicações e traga luz à pluralidade de opiniões. Leia mais…

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